Editora : MARTINS MARTINS FONTES Especialidade : LITERATURA ISBN : 8561635134 ISBN 13: 9788561635138 Páginas : 264 Publicação : 2009 Edição : 1º Encadernação : BROCHURA
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Sinopse
Entre os muros da escola enquadra o mundo escolar do ponto de vista de um jovem e desajeitado professor de francês. Mas, neste romance, como na forma de ensinar que François Bégaudeau propõe, sem panfletar, não é apenas a voz do educador que ouvimos. Os alunos disputam o espaço físico e o direito à fala, protagonizam o romance, interferindo na exposição de conteúdos e no comportamento do professor, dando o rumo que bem entendem às aulas e, por que não dizer, à narrativa de Bégaudeau
Saiu Na Midia:
Para autor, romance e filme não espelham sociedade EDUARDO SIMÕES FOLHA DE SÃO PAULO
Autor do romance homônimo, ator principal e corroteirista de "Entre os Muros da Escola", o escritor francês François Bégaudeau discorda de que seu livro ou o filme sejam uma "câmara de eco dos questionamentos, inquietações, dilemas e disputas que agitam o mundo", como afirmou um crítico do jornal francês "Le Monde". Para Bégaudeau, tais observações são "besteiras políticas" coladas à sua história: "Estes aspectos políticos são muito secundários no filme. O que posso afirmar é que um estabelecimento de ensino popular abriga sempre os conflitos e disfunções de uma sociedade. E, politicamente, creio que um filme não pode provar nada". Leia abaixo trechos da entrevista à Folha, por e-mail.
FOLHA - Antes mesmo de ler seu romance, Laurent Cantet já pensava em usar uma escola como "microcosmo" do mundo, para falar da "integração cultural e social" e de outros temas sociopoliticos característicos de sua obra. A crítica especializada viu seu livro e o filme como uma "caixa de ressonância" da sociedade. O sr. aceita essa análise? FRANÇOIS BÉGAUDEAU - No que se refere a todas as besteiras políticas ditas sobre "Entre os Muros", quero afirmar que ele não tem nada a dizer sobre todos esses assuntos: imigração, juventude, sociedade francesa etc. Nós não pensamos em mostrar tensões étnicas, mas, antes de tudo, os mal-entendidos entre um adulto e um adolescente em um ambiente escolar. Trabalhamos efetivamente em torno da questão da lei e da autoridade. Uma espécie de laboratório democrático. Quanto a Cantet, não acho que ele seja um cineasta político. Ele fala de temas políticos, mas eu creio que, no fim das contas, ele o faz de uma maneira psicológica e romanesca. Seu principal tema é sempre a solidão de um homem na sociedade. E as relações de filiação: pai e filho em "Recursos Humanos" (1999) e "A Agenda" (2001); professor e aluno em "Entre os Muros da Escola".
FOLHA- Uma outra análise no jornal "Libération" concluiu que, apesar de Cantet e o sr. serem de esquerda, o filme dá "argumentos sólidos à direita" ao mostrar a falência da "dessacralização do saber" e da autoridade numa escola. Como o sr. viu essa crítica? BÉGAUDEAU - Também damos argumentos aos pensadores de esquerda! O professor é, sem dúvida, de esquerda e libertário. Mas não tentamos dar razão a ele de um modo sistemático. Na verdade, cada um adquire no filme novas provisões para seu cesto ideológico. Thomas Clerc [autor do ensaio no "Libération"] é um ensaísta reacionário, é normal que ele prefira um professor autoritário. Como professor, fui o inverso disso, porque sou libertário e a autoridade tradicional me faz rir. Eu não acredito no teatro dos adultos.
FOLHA- O que quer dizer exatamente com essa expressão? BÉGAUDEAU - Todas as organizações, como a escola, a família e a sociedade, repousam sobre a convicção de que alguns sabem mais do que os outros, que alguns detêm o saber e a experiência. Aí está a ilusão. Ilusão na qual acreditamos até o dia em que nos vemos adultos, professores e pais. E aí nos damos conta de que não sabemos muito mais do que sabíamos dez anos antes. E que não dominamos de fato o tema da vida. Daí é preciso fazer o teatro dos adultos. Não é tão difícil se dar conta de que tudo é teatro. Esse adulto, que tem autoridade, é um pouco como um policial que todos os dias entra em cena ostentando seu uniforme.