O subterrâneo do Morro do Castelo
O prefeito Pereira Passos empreendeu, no início do século XX, um projeto de modernização na cidade do Rio de Janeiro. O desmonte do Morro do Castelo, concebido e iniciado em 1905, tinha como objetivo a remodelação da cidade e a exclusão da população marginal que habitava casas de cômodo e cortiços.
Lima Barreto, ainda repórter do Correio da Manhã, aproveitou a movimentação popular e política em torno do acontecimento, para publicar, entre abril e junho de 1905, uma série de reportagens sobre as primeiras escavações.
Ao fato jornalístico, Lima Barreto, acrescentou um folhetim baseado na lenda de um tesouro escondido nas galerias subterrâneas encontradas sobre o mosteiro jesuíta.
No posfácio, o poeta Carlito Azevedo, analisa os três gêneros presentes no texto – o jornalístico, o folhetinesco e o gótico – que comentam em sua estrutura literária a situação contraditória que a cidade atravessa: o arrasamento calculado de um ambiente pobre diante do afloramento poético de superstições e mistérios.
O desmonte do Morro do Castelo é um acontecimento exemplar para a reflexão contemporânea sobre as decisões urbanas e sociais nas grande cidades.
O subterrâneo do Morro do Castelo, de Lima Barreto foi editado pela primeira vez em 1997 (Dantes Editora).
O lançamento pela Martins Martins Fontes será repaginado e ganhará um novo prefácio assinado pela socióloga Barbara Freitag, autora do livro Capitais migrantes e poderes peregrinos, o caso do Rio de Janeiro (Papirus, 2009), e organizadora da edição Tempo Brasileiro 132 dedicada a Cidade e Literatura.
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